Sempre fui a menina estranha, de poucos amigos e com uma família complicada. Sempre fui a ultima a ser escolhida nos jogos de educação física, ou a que geralmente ficava sem grupos em algum trabalho. Eu andava de cabeça baixa, não fala muito, geralmente ficava de canto. Por onde eu passava percebia que tinha pessoas ali rindo, eu geralmente achava que estavam rindo de mim. O que me fez começar a odiar o jeito que me vestia, como andava, como eu era fisicamente. E então, começaram a caçoar do meu nariz. Da minha risada espalhafatosa, dos fato de eu ter sido gordinha. Eu emagreci, começaram a falar que eu parecia estar doente, que eu estava magra demais, que eu deveria procurar um tratamento que aquilo não era normal. Que eu não era normal. Eu me odiava, odiava cada parte do meu ser estranho e confuso. Então, decidi me esconder. Me esconder das pessoas que tanto me criticavam, me esconder e viver no meu vazio interior. E eu vivi, me escondi e só me sentia pior a cada dia. Me perguntava por dias, “como eu ainda estou aqui? Porque Deus não me leva?” Então, começaram os problemas em família, quando eu mais precisava de apoio, eles eram os primeiros a me derrubar. A cada dia que passava eu me sentia cada vez mais me sufocando, me afundando. Presa. Essa é a palavra. Um dia, alguém me disse que gostar de si mesmo é a coisa mais importante, essa frase mudou a minha vida. Meu jeito de ser e de pensar. Hoje, eu posso respirar e mandar todos aqueles que, de certo modo contribuirão para me ver mal, ir para o inferno, porque eu estou aqui, mais forte e seguindo em frente com a minha vida. Sem precisar derrubar ninguém ou enfiar a mão inteira em uma ferida. Ainda não superei tudo, mas não abaixo minha cabeça mais.
O Diário de Sofi. (via expurgar)